• Marcos Oliveira

A cortina de fumaça de Gabriel Bruce


Em seu primeiro single, Bruce incorpora seu virtuosismo instrumental à canção popular. Foto: bendita

Baterista da banda Graveola e ex-Zimun, Gabriel Bruce disponibilizou seu primeiro single solo, intitulado Cortina de Fumaça - composição do próprio Gabriel, em parceria com Frederico Heliodoro e Matéria Prima. Apresentada com seu quinteto no Savassi Jazz, a canção conta com as participações de Mariana Cavanellas (Rosa Neon) e Matéria Prima nos vocais.


Mesclando o virtuosismo instrumental de Bruce à linguagem mais acessível e direta da canção popular, o single levanta o debate sobre em que medida muitas das coisas que se tornam notícias não são apenas cortinas de fumaça a esconder perversidades, violências; e como a ânsia por informação pode acabar nos cegando ou nos fazendo perder o foco sobre o que é determinante para nossas vidas.


A dinâmica instrumental ajuda a construir um cenário moderno, ágil, frenético, acelerado, que nos localiza no tempo e no espaço – apressados, em eterna busca, mas também perdidos, meio que em transe, vivendo em uma espécie de delírio coletivo. Destaco o trecho em que a faixa ganha uma pegada percussiva, brasileira, numa levada de samba-reggae que dá cor e originalidade à composição.


Produzida por Frederico Heliodoro, Cortina de Fumaça foi gravada, mixada e masterizada por Marcelinho Guerra, no estúdio Stereoutono em Belo Horizonte – MG. A canção conta com Gabriel Bruce na bateria; Frederico Heliodoro no baixo, guitarra e synth; Matéria Prima, na letra e voz; Fred Selva, na percussão e eletrônicos; Lucas De Moro, nos teclados; e as participações de Daniel Santiago, no violão e Mariana Cavanellas, na voz.


Disponível em todas as plataformas digitais (spotify, bandcamp), o single faz ecoar a música que Bruce mais está curtindo compor agora, como afirmou o baterista à jornalista Patrícia Cassesse, em matéria do Jornal O Tempo.


Capa: Gustavo Amaral / Projeto Gráfico: Octavio Cardozzo

O single é uma mostra do que virá no primeiro disco de Gabriel Bruce, com lançamento previsto para 2020, após o Carnaval. Basicamente um álbum de canção, o trabalho está praticamente pronto, faltando apenas mixagem e masterização.


Bem atual, o projeto abordará o contexto por que o Brasil passa hoje, a partir de letras com pegada política e social. Bruce define a sonoridade como moderna e destaca a presença de sintetizadores, além de bateria eletrônica e acústica – o que já se percebe no single.


Gabriel Bruce


Baterista desde os 15 anos, formado no Cefar, no Palácio das Artes, Bruce foi agraciado, em 2011, com o prêmio Jovem Instrumentista do BDMG Cultural. Em sua trajetória, o músico estudou com nomes, como: Limão Queiroz; Marcio Bahia; Jean Dolabella; Santiago Reiter; Kiko Freitas; e Edu Ribeiro.


As manchetes vêm e vão assim como um bumerangue,

as cortinas de fumaça vêm pra encobrir o sangue.


Todo dia vão mostrar um enorme absurdo,

que vai deixar todos cegos e todos já estão surdos.


Notícias estão no ar na hora de acordar,

me fazendo esquecer do que tenho que lembrar.


Delírios nos jornais e quimeras virtuais,

criam alucinações que se passam por normais.


E toda a gente quer simplesmente acreditar,

tomar a decisão sem ter como voltar e sem ter como se revoltar.


Notícias estão no ar na hora de acordar,

me fazendo esquecer do que tenho que lembrar.

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