• Marcos Oliveira

A violeira Letícia Leal


O som da viola fora do seu lugar-comum

A viola caipira é um instrumento que mexe com o imaginário e a memória afetiva brasileira. Com um som encorpado e brilhante, ela nos transporta para ambientes e cenários lúdicos, mágicos e bucólicos, predominantemente rurais.


Diante de um contexto tão tradicional destaca-se o trabalho de Letícia Leal, violeira de Teófilo Otoni - MG, que propõe uma nova roupagem para a viola de dez cordas. Acrescentando elementos do jazz, do blues, do folk, do choro e da música afro à música de raiz, ela parte do regional para criar uma obra moderna e universal.


Além da mescla de estilos, o que mais chama a atenção no trabalho de Letícia é a energia, a originalidade e a ousadia em estabelecer caminhos e propostas diversas para um gênero tão tradicional, repleto de cânones e "regras". Mas, com bastante destreza, a musicista desafia as normas e constrói sua obra única.


Aliás, coragem e ousadia não faltam a Letícia Leal, que passa por cima de preconceitos de estilo e de gênero para ser referência na viola caipira e servir de inspiração e exemplo, já que muitas mulheres começaram a tocar por sua causa, como afirmou em matéria do Jornal Hoje em Dia.


Em 2012, a musicista participou do programa Globo Horizonte, da TV Globo Minas, ao lado de outros violeiros de sua geração, desfazendo o mito de que a viola pertence exclusivamente ao universo masculino.


Sonoridade universal com raízes regionais

Mesmo com a proposta de experimentação sonora, Letícia é bastante considerada no meio e já se apresentou ao lado de medalhões, como: Pereira da Viola; Bilora; Joaci Ornelas; Gustavo Guimarães; e Wilson Dias.


A violeira também é figurinha carimbada em programas dedicados à música caipira, como o Viola Brasil (Bloco 1 e Bloco 2), da TV Horizonte, apresentado por Chico Lobo; e em 2018, apresentou-se no Show Rabiola, em parceria com Rodrigo Salvador.


Além de peças instrumentais, músicas autorais e releituras, que proporcionam uma experiência musical única, Letícia Leal também dá aulas de viola de 10 cordas, ajudando a manter viva a tradição do instrumento.


Confira abaixo alguns vídeos em que a musicista apresenta canções autorais no formato de trio, acompanhada por Matheus Ribeiro, no piano, Zanarth Oliveira, na bateria, e veja essa moça saindo do lugar-comum, construindo uma sonoridade particular, que deve ser a tônica de todo trabalho autoral.




URUTU


Primeiro CD de Letícia Leal e Caio de Souza, Urutu é um duo de violas caipira, dialogando em músicas do meio urbano. Trata-se de um encontro musical com a ideia de retratar as vastas possibilidades deste instrumento tão brasileiro.


Um dos objetivos é mostrar como a viola é rica em timbres e texturas, capaz de percorrer caminhos diversos, sem restringi-la a um único estilo. Neste disco há a baianidade de Caymmi, a singeleza carioca de Guinga, a mineirice de Milton, o sotaque nordestino de João Lyra, a brejeirice de Breno Ruiz e o arrojo de Fernando Sodré.


Urutu é um passeio pela riqueza sonora do Brasil. O repertório é formado pelas seguintes canções: Bola de Meia, Bola de Gude (Milton Nascimento e Fernando Brant); Caçada (Fernando Sodré); A Lenda do Abaeté (Dorival Caymmi); Passarinhadeira (Guinga e Paulo César Pinheiro); Choro Pro Zé (Guinga e Aldir Blanc); Forró da Penha (João Lyra e Adelmo Arcoverde); Caçuá (João Lyra e Maurício Carrilho); Jongo do Sol Poente (Marcelo Portela); Choro Bordado (Breno Ruiz e Paulo César Pinheiro).


Gravado no Estúdio Bemol, mixado e masterizado no Engenho Estúdio, o disco tem produção musical de Fernando Sodré; arranjos de Fernando Sodré, Letícia Leal e Caio de Souza; e preparação vocal de Marilene Clara.


Produzido de forma independente, este projeto passa por uma campanha de financiamento coletivo, a fim de viabilizar as gravações e seu show de lançamento. Apoie!



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